Lactante com Infarto Agudo do miocárdio

Paciente do sexo feminino, 39 anos, previamente hígida, G2-2, último parto há seis meses, com queixa de precordialgia há 3 dias, em aperto, com com cerca de 10 minutos de duração, pela manhã, de fraca intensidade (2/10) com irradiação para MSE associado a parestesias em dedos e melhora esontânea. Aos 20 minutos, apresentou recorrência da dor com as mesmas características e procurou atendimento no PS em outra unidade. Realizou ECG que refere sem alterações e fez uso de analgésicos, sendo liberada. No dia da admissão, apresentou recorrência da dor, de maior intensidade (5/10), que durou 10 a 20 minutos, associado a tontura e procurou atendimento na UE-HSR. Feito suspeita diagnóstica de SCA, solicitado ECG com ZEI em parede ântero-septal e MNM que estavam elevados, sendo admitida na Unidade Cardiovascular Intensiva assintomática.
No segundo dia de internamento, apresentou precordialgia de forte intensidade e ECG com supra de ST de V1 a V4 sendo indicado CATE de urgência. Este evidenciou DA com estenose segmentar e dissecção, sendo opotado pelo implante de stents convencionais (total 68 mm de comprimento). A paciente apresetnou recorrência da dor pós procedimetno, associado a alterações enzimáticas e no ECG, a desçeito das medidas clínicas. Solicitado novo CATE onde foi evidenciado disscção da DA, com colocação de BIA e indicado RM de urgência. Tempo de CEC 65 minutos, sem evidências de aterosclerose coronariana. Evoluiu no pós-operatório com episódios de hipotensão sintomática, sendo ajustado medicações anti-hipertensivas.

Qual a provável etiologia da doença coronariana dessa paciente?
A angioplastia com implante de stents no primeiro procedimento foi adequada?

Discussão
Trata-se de uma paciente lactante, no sexto mês pós-parto,com dislipidemia identificada nos exames admissionais, sem outros fatores de risco conhecidos. O anteparto, parto e pós-parto são fases relacionadas a alterações fisiológicas no organismo materno, dentre eles, maior débito cardíaco, menor pressão arterial diastólica, alterações hormonais como maior produção de progesterona e neurofilia, que podem estar relacionados a mudanças na estrutura da parede dos vasos, facilitando ocorrência de dissecções espontâneas. A hipótese de etiologia não-aterosclerótica foi corroborada pela descrição cirúrgica sobre a característica das artérias.
Na discussão, concluiu-se que o implante de stents no primeiro procedimento foi adequado pois tratava-se de lesão extensa na DA, com comprometimento miocárdico, sendo difícil desencadear um procedimento de urgência de revascularização miocárdica cirúrgica naquele momento.

Postado por Samanta Goes, residente de clínica médica do HSR, em rodízio na UCI

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