sábado, 18 de agosto de 2012


Estudo também discutido em sessões fora o WARCEF: estudo publicado no New England, em maio de 2012, no qual os autores concluem que: “ entre pacientes com FE reduzida que estão em ritmo sinusal, não houve diferença significativa, no desfecho primário, entre tratamento com varfarina e aspirina”. O trabalho propôs-se à avaliar eficácia e  segurança da varfarina quando comparada à aspirina para a prevenção de eventos embólicos em pacientes com IC e ritmo sinusal.
Estudo duplo cego, randomizado, multicêntrico que comparou o uso de aas na dose de  325mg/d x varfarina, com meta de RNI 2,0 a 3,5 , com um tempo médio de seguimento de 3,5 anos num total de 2305 pacientes. 
Foram incluídos: pacientes maiores de 18 anos, em ritmo sinusal com FE<35%, em qualquer NYHA, tendo a classe I um máximo de 20% e  escala de Rankin modificado <4. Excluídos aqueles com indicação formal para uso de aas ou varfarina à exemplo de: FA; Válvula Mecânica; Endocardite; Trombo móvel intra-cardíaco.
Das características da população estudada chama atenção: 80 % de homens, com idade média de 61 anos, em torno de 50% isquêmicos, FE média de 25%, com CF de NYHA II e III estando representados em mais de 80%.
A amostra final de 2305 pacientes rendeu um poder de 69% para testar a hipótese nula primária e 83% de potência para a hipótese nula secundário.
Da análise estatística conclui-se que: no que diz respeito ao end point primário composto por: morte, AVE-I ou hemorragia cerebral, não houve diferença estatística entre os grupos analisados de uma forma geral. Mas por tratar-se de desfecho composto no subgrupo do AVE – I, a varfarina mostrou uma redução de eventos com NNT de 45 às custas de aumento de sangramento maior, traduzido por sangramento digestivo com NNH de 50. No end point secundário composto por : morte, IAM, AVE-I, AVE-H e internamento por IC não houve diferença estatística entre os grupos, com uma tendência a maior hospitalização para o grupo da varfarina, contudo também sem alcançar significância estatística(p valor de 0,0053).



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ROMICAT II


Na sessão do dia 13/08, foi discutido o estudo Coronary CT Angiography versus Standard Evaluation in Acute Chest Pain (ROMICAT II), publicado em julho de 2012, na New England Journal of Medicine, com intuito de avaliar a angio TC de coronária como método diagnóstico na suspeita de SCA, capaz de ser usado na unidade de emergência; a fim de programar alta mais precoce do paciente. O estudo foi randomizado, aberto e com total de 1000 pacientes na proporção 1:1 entre os grupos da angio TC de coronária e o tratamento padrão realizado na emergência. Foram inclusos pacientes entre 40 e 74 anos, em ritmo sinusal e com dor torácica com pelo menos 5 minutos de duração.Os pacientes tinham um perfil de baixo a intermediário risco cardiovascular,  com ECG normal  e troponina negativa. No presente estudo ficou instituído como end point primário o tempo de internamento do paciente, sendo que o grupo da angio TC mostrou-se estatisticamente significante (p<0.001) com o tempo médio de 8,6 vs 26,7h. Os participantes foram seguidos por 28 dias através de ligações telefônicas. Em relação aos métodos aplicados, um problema do estudo foi não comparar a angio TC com outro método especificamente, mas com vários empregados (CMPE, ECO estresse e teste ergométrico). Outro problema foi o fato do estudo não ter sido realizado durante os fins de semana. Analisando o estudo, como desfecho primário o mesmo mostrou beneficio, porém o grupo da angio TC apresentou maior custo e uma maior exposição dos pacientes à radiação.
PLATO

Na  sessão de artigo do dia  09/07/12, foi apresentado  o estudo Plato, publicado na New England Journal  of Medicine, realizado entre setembro de 2006 a julho 2008. O Plato foi realizado  com  um número de 18624 pacientes divididos em 02 grupos para tratamento de SCA com estratégia invasiva(cineangiocoronariografia). Os grupos foram alocados para tratamento com clopidogrel, dose de ataque 300- 600mg, e ticagrelor de 180mg. Foi amplamente discutido a importância do estudo e foram abordadas algumas questões  dentre as quais a redução do risco relativo  em 19%. O end point primário foi morte cardiovascular, AVC e IAM. Considerado como  magnitude moderada o estudo com  NNT de 52. Uma outra questão abordada durante a discussão foi o sangramento  que apesar de maior no grupo ticagrelor,não houve diferença estatística significante entre os grupos,além do ticagrelor ser suspenso com maior segurança nos pacientes submetidos a cirurgia cardíaca . Em relação a aplicabilidade da droga(ticagrelor), foi observado sua superioridade em pacientes de alto risco para eventos cardiovasculares , uma vez  que a população estudada se comportava como tal.O clopidogrel não deixa de ter sua relevância principalmente em pacientes de baixo a moderado risco cardiovascular.