terça-feira, 24 de março de 2015

Por muito tempo ferramentas têm sido recomendadas para avaliar RISCO DE DOENÇA ARTERIAL CORONIARIANA. Escores, como o de Framinghan, que leva em consideração fatores como idade, sexo, Diabetes, Pressão Arterial sistólica e diastólica, tabagismo e níveis de lípides estimam risco de angina, infarto ou morte por doença coronariana em 10 anos, sendo considerado baixo quando inferior a 10%, intermediário se entre 10 e 20% e alto quando maior que 20%.
Outros têm surgido na tentativa de estimar de maneira mais correta possível, seja fixando limites e metas para terapia hipolipemiante, utilizando história de doença coronariana precoce e sensibilidade de Proteína C reativa  ou mais recentemente com a terapia de redução de risco.
Então, este artigo, publicado recentemente em fevereiro, tenta comparar a capacidade de calibração, ou seja de predizer o risco, e discriminação (diferenciar os pacientes que no futuro terão o desfecho e aqueles que permanecerão livres do desfecho) do mais recente Escore de Risco ASCVD com os os principais escores de risco e a terapia preventiva como possível causa de superestimativa do risco.
Através de um estudo multicêntrico, prospectivo, com pessoas sem doença cardiovascular prévia, com seguimento de cerca de 10 anos para eventos coronarianos e cardiovasculares avaliado através de entrevistas por telefone a cada 9-12 meses utilizando também dados de internamentos, diagnósticos, cópias de registros de eventos (Infarto Agudo do Miocárdio, angina definida ou provável, Acidente vascular cerebral (AVC), morte por doença coronariana, AVC, aterosclerose ou outra doença cardiovascular para assim comparar os escores.
Pacientes diabéticos foram excluídos já que 2 escores avaliados não contemplavam esse tipo de população (ATPIII e Reynolds). Este fato pode ser um viés? Bem possível, já que deixa a população em estudo mais similar à usada nesses escores citados.  Para comparar os escores foi utilizado o critério de eventos previstos versus observados.
Os resultados mostraram uma tendência de superestimativa de praticamente todos os Escores, principalmente no subgrupo Homens. De acordo com este estudo, o Reynolds parece ter sido o que menos superestimou os eventos. Na verdade, inclusive, pelo critério utilizado subestimou os eventos.
Entretanto, avaliando de maneira mais crítica podemos destacar possíveis influências gerais para este aumento de estimativa do risco: a população tem mudado ou pelo menos tentado optar por hábitos mais saudáveis, terapia preventiva mais efetiva, fatores de risco alterados ao longo do tempo, pacientes em estudo podem ser mais conscientes da importância de melhores hábitos. De qualquer maneira foi um estudo válido para relembrarmos os conceitos de calibração e discriminação, além de nos fazer refletir que os escores embora sejam muito úteis devem ser usados com critérios e adaptado a cada realidade.