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Uso de dupla mamária em cirurgia de revascularização: rotina ou em casos especiais?

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Pergunto a você caro leitor: quando pensar em utilizar enxerto bilateral da artéria mamária em paciente que irá ser submetido a cirurgia de revascularização do miocárdio?  Alguns irão refletir sobre o  risco de complicações, principalmente relacionadas ao aumento de infecção do esterno e questionar o cirurgião optando por esta técnica em pacientes mais jovens, magros e sem diabetes mellitus, dentre outras características.  Alguns irão recordar o estudo  ART  ( Randomized Trial of Bilateral versus Single Internal-Thoracic-Artery Grafts ) 1 . O  ART trial , publicado em 2016, concluiu que, em pacientes submetidos a cirurgia de revascularização do miocárdio, não foi observado diferença significativa em desfechos clínicos (mortalidade, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral) entre enxerto único ou bilateral da artéria torácica interna em 05 anos de acompanhamento (análise interina). Assim como,  Taggart e cols 2 ,  não encontr...

Posso beber doutor?

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Meu paciente com fibrilação atrial paroxística questiona: posso beber doutor? A fibrilação atrial (FA) é a arritmia mais comum em adultos sendo rotulada por alguns especialistas com uma  “epidemia”.  Atualmente com prevalência em torno de 3% em adultos com idade > 20 anos e previsão de aumento importante (100%) nas próximas 4 décadas. Diversos artigos observacionais identificam vários fatores de risco para o desenvolvimento de FA, dentre eles o c onsumo de álcool.  A associação entre aumento do consumo de álcool e FA foi descrita pela primeira vez em 1978 por  Ettinger,  surgindo a denominação tão conhecida por todos nós:  Síndrome do Coração do Pós Feriado (Holiday Heart Syndrome).  Os autores descreveram aumento de internações devido a arritmias após consumo de bebidas alcoólicas nos feriados e finais de semana. Estudos posteriores apontam para um possível efeito linear da ingestão de álcool e FA. Em um deles, realizado na Suécia, p...

Morfina e desfechos cardiovasculares em pacientes com SCA sem supradesnivelamento do segmento ST submetidos à angiografia coronariana.

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Caro leitor, te faço uma pergunta: você faria este estudo? Quando fui interrogada a este respeito, minha resposta foi sim, pois estudos prévios sugerem interação medicamentosa da morfina com inibidor da P2Y12, podendo retardar a absorção e atenuar o efeito antiplaquetário deste medicamento tão importante. Além do mais, morfina tem sido recomendada para o tratamento da dor torácica aguda em pacientes com síndromes coronarianas agudas (SCA) desde o início do século XX, mesmo não havendo estudo que demonstre segurança clínica nesta população. Em janeiro de 2020 o artigo supracitado foi publicado no JACC 1 . Os autores testaram a hipótese de que o uso concomitante de morfina e clopidogrel está associado a um maior risco de eventos isquêmicos cardíacos. Para tal, utilizaram a base de dados do EARLY – ACS 2  (N= 9.406 pacientes), tratando-se portanto de uma sub- análise post hoc. Neste artigo avaliaram 5.438 pacientes (cerca de 60% da população do EARLY-ACS)...

Implante Transcateter de Valva Aórtica com prótese auto-expansível em paciente com Estenose Aórtica Severa não-calcífica

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Publicação de Caso Clínico do nosso serviço na Revista eletrônica da Sociedade Brasileira de Cardiologia Intervencionista (SBHCI) http://sendy.wdcom.website//w/1way2jGwQXPn6L2W1JuWIw/RwjKQpsMaXs892QChmRxMOxg/h2g3eTwp763O6wM2dcC4z5bw

ESTUDO DE COORTE CANADENSE DE DISSECÇÃO DE ARTÉRIA CORONÁRIA ESPONTÂNEA: RESULTADOS INTRA-HOSPITALARES EM 30 DIAS.

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                        A dissecção espontânea da artéria coronária (DEAC) é uma condição pouco compreendida que frequentemente afeta mulheres jovens sem fatores de risco cardiovascular e pode causar infarto do miocárdio, parada cardíaca ou morte. É definida como uma separação espontânea, não traumática, não-iatrogênica e não aterosclerótica da parede arterial coronáriana por hemorragia intramural, que pode ser desencadeada por ruptura da íntima ou hemorragia espontânea. Isso cria uma falsa luz com hematoma intramural que comprime o lúmen verdadeiro causando isquemia miocárdica ou infarto.          O relato anterior de DEAC é raro, entretanto, foi subdiagnosticado e a verdadeira prevalência é desconhecida. As publicações são limitadas principalmente a relatos de casos e séries não prospectivas, com ausência de dados de ensaios  randomizados.   Não satisfeito com isto, essa coorte o...

Estudo TREAT – ticagrelor x clopidogrel na trombólise após IAM com supra de ST

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Estudos randomizados de larga escala estabeleceram que a terapia antiplaquetária dupla aspirina e clopidogrel reduzem eventos cardiovasculares maiores em pacientes com infarto do miocárdio com elevação segmento ST (IAMCSST) tratados com fibrinólise. No estudo PLATO, o tratamento com ticagrelor em comparação com o clopidogrel, proporcionou uma redução na taxa de eventos cardiovasculares maiores nos pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea primária (ICP) e os pacientes que receberam terapia fibrinolítica nas últimas 24 horas foram excluídos. Portanto, faltavam evidências sobre os efeitos a longo prazo do ticagrelor em pacientes com IAMCSST tratados com terapia fibrinolítica. Resultados primários do TREAT demonstram que a utilização de ticagrelor era seguro, sendo o desfecho primário de sangramento maior em 30 dias comparável entre ticagrelor e clopidogrel. Tentando responder a esses questionamentos, em março de 2019 foi publicado no JACC o “Ticagrelor versus Clopi...

COACT – Não deixe a ansiedade te dominar!

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A causa mais frequente de parada cardíaca é a cardiopatia isquêmica, e doença arterial coronariana foi relatada em até 70% dos pacientes que foram ressuscitados e são encaminhados para angiografia coronariana imediata. Se o infarto do miocárdio é a causa da parada, a intervenção coronária percutânea imediata (ICP) pode salvar o miocárdio, melhorar a função circulatória e prevenir a recorrência de arritmias que ameaçam a vida, correto? Veremos a seguir.  Em pacientes com parada cardíaca que não apresentam supradesnivelamento do segmento ST ao ECG, o papel da angiografia coronária imediata ainda é motivo de debate. Faltavam dados de estudos randomizados e estudos observacionais mostraram resultados conflitantes em relação ao efeito da angiografia coronariana imediata e da ICP nos desfechos desse grupo de pacientes.             Ufa! Agora estamos embasados. Em março de 2019 a NEJM publicou o Trial  Coronary An...

Existe Vantagem de Extração de Veia Safena Via Endoscópica em Cirurgia de Revascularização Cardíaca?

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Em 2019 foi publicado no NEJM a análise do trabalho “ Randomized Trial of Endoscopic or Open Vein-Graft Harvesting for Coronary-Artery Bypass ” que comparou duas técnicas de extração de Veia Safena (VS) em Cirurgia de Revascularização Miocárdica (CRM). Para a realidade brasileira, habitualmente o enxerto de VS é obtida através da técnica aberta, na qual são feitas diversas incisões na perna. É uma técnica consolidada e tida como referência. Uma outra opção para extração de VS que surgiu há cerca de 2 décadas é a extração via endoscópica, na qual é feita apenas uma incisão na perna, injetado ar nos tecidos profundos e então com ajuda de um endoscópio, feito a extração da VS com ligadura térmica dos seus ramos. Dentre as complicações desta técnica “nova” estão a possibilidade de lesão térmica do enxerto de VS, altos custo (variando entre 7 a 18 mil reais) e necessidade de expertise e treinamento adicional. A vantagem proposta na utilização desta técnica endoscópica, recai na men...

O poder das bolhas

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         Em meio ao fenômeno mundial das Fakes News, eis que surge um interessante artigo na conceituada revista Plos One, escrito por um grupo de pesquisadores brasileiros sobre o tema mais badalado do ano: Ozonioterapia.          Em maio deste ano, esta prática foi incluida juntamente com mais nove outros tratamentos ao rol de modalidades terapêuticas disponibilizadas pelo SUS, sendo nomeados como práticas integrativas e complementares. No entanto, faltavam evidências robustas provando que o uso do ozônio traria reais benefícios. Neste contexto, o trial "Comparison between intra-articular ozone and placebo in the treatment of knee osteoarthritis: A randomized, double-blinded, placebo-controlled study" concluiu a eficácia do ozônio no que concerne alívio da dor, melhora funcional e qualidade de vida em pacientes com osteoartrite do joelho.         A ideia foi até boa, mas infelizmente, logo no inicio da metodo...

AAS para prevenção primária cardiovascular: 'mocinho' ou bandido?

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Há muito que se sabe que a aspirina é um “santo remédio”... Uma medicação barata, de fácil acesso e que desde 1800 e bolinha sabia-se servir para febre, dor e inflamação e que, apesar da propaganda reiterar que “não afetava o coração”, só quase 100 anos depois, descobriu-se seu benefício na Cardiologia.   Baseados nessa descoberta da década de 80, muitos estudos já comprovaram a eficácia da droga na prevenção secundária de eventos cardiovasculares e muitos outros têm tentado extrapolar seu benefício para prevenção primária de tais fenômenos. Partindo do pressuposto de que pacientes portadores de DM (tipo 1 e 2) possuem um risco de eventos cardiovasculares de 2-3 vezes maior do que a população em geral, alguns  trials  já fizeram o esforço para demonstrar uma relação benéfica do uso do AAS para prevenção de fenômenos nessa população e na geral, destacando-se o ATT (Antithrombotic Trialists’ Collaboration) que, em 2009, demonstrou uma redução de 12% na oco...